Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o programa Somos Todos São-Paulinos desta segunda-feira trouxe um trabalho espetacular do companheiro Dario Campos, do Agonia Tricolor (comentarista em nossas jornadas esportivas e membro fixo do programa), mostrando uma relação pouco provável, mas verdadeira, entre a venda de Eder Militão para o Porto, e a vinda de James Rodrigues para o São Paulo. Foi uma noite de êxtase do programa, a partir do próprio título que reproduzo neste editorial, criado pelo Ramone Artico.

Não vou estender meu texto, mas fazer um breve resumo: Militão foi vendido ao Porto por 7 milhões de euros (apesar de no balanço do São Paulo aparecer 7 milhões de reais, talvez um erro de sifrão). Isso em 2017. Depois há uma nova venda de Militão, agora por 5 milhões de euros (de novo o São Paulo marca 5 milhões de reais, talvez mais um erro).

O curioso é que 2/3 do valor pago pelo Porto ao São Paulo na realidade não foi o time português quem pagou, mas uma empresa que tem, entre os sócios, Giovani Bertolucci, o empresário quem tem créditos próximo dos 40 milhões de reais junto ao São Paulo.

A compra de dois terços do passe de Militão por uma empresa não teria problema algum, fossem os direitos econômicos. Mas segundo o balanço do São Paulo, foram os direitos federativos, algo proibido pela Fifa. Mas talvez tenha sido mais um erro no balanço do São Paulo, um erro de grafia.

Continuando, a comissão paga pelo São Paulo a Bertolucci pela venda de Militão ao Porto foi de 3 milhões e 300 mil euros, em valores redondos. Ou seja: 47% do valor do jogador. É ilegal? Não. Apenas imoral e de difícil explicação. Em qual atividade do mundo um agente, seja em que setor for recebe quase 50% de comissão por uma venda?

Militão foi vendido ao Real Madrid por 52 milhões de euros. Lá também se pagou uma comissão próxima de 40%. Mas sabe-se que os empresários, a empresa e o jogador ficaram com algo próximo a 18% do total da transação e que o restante foi parar no bolso do presidente do Porto, que foi afastado do clube e preso.

E aqui no São Paulo? Quanto coube a cada uma das partes nessa operação? Sabemos que o São Paulo não pagou a comissão para Bertolucci, porque também não recebeu do Porto. Levou dois anos e teve que acionar a Fifa para que o Porto pagasse. Porém a dívida do São Paulo com Bertoucci, que era na casa dos 12 milhões de reais, começaram a correr juros, multas e, com outras vendas de jogadores do empresário, hoje chega a 40 milhões de reais.

Mas onde entra James Rodrigues? Sem clube na Europa, dispensado do Olimpyacos antes do térmico do contrato de experiência, Jorge Mendes, empresário de James, acionou empresários no mundo inteiro tentando encaixar o colombiano, ainda que com salários menores, compatíveis ao País que ele fosse jogar. Foi aí que Bertolucci levantou a mão, recebeu o jogador (que ainda pertence ao português Jorge Mendes) e enfiou no São Paulo.

Ao contrário do que garante a diretoria, de que o salário de James era pouco mais de R$ 900 mil mensais, pelo acordo feito no momento que haveria a rescisão, em fevereiro, mostra que é muito mais. O São Paulo se propôs a pagar R$ 10 milhões por sete meses de atraso. Como se sabe, esse atraso só pode ser das luvas e dos direitos de imagem e tudo isso, somado, não podem chegar a 50 por cento do salário da CLT. Bem, se foram dez milhões de atraso por sete meses nesses dois pontos, significa que o total pode chegar a R$ 20 milhões. Se dividirmos isso por sete, teremos um valor muito próximo a R$ 3 milhões por mês. Mas se a diretoria diz que eram R$ 900 mil, quem estaria recebendo o restante do dinheiro? Haveria uma “rachadinha”dentro do São Paulo?

E a comissão dos empresários no caso de Militão, também seria uma “rachadinha”? como no Porto?

É fato, por tudo isso que foi mostrado, que o São Paulo seja por interesse, seja por necessidade, é o próprio paraíso dos empresários.

O mais estranho de tudo é que tudo isso aconteceu no balanço do São Paulo e nenhuma auditoria, nenhum membro do Conselho de Administração, nenhum integrante do Conselho fiscal, nenhum conselheiro do Deliberativo viu ou levantou a suspeita. Por que será? Num País sério, todos, eu disse TODOS, teriam “rodado”.

Falei, na abertura do programa, que Leco, Raí, Alexandre Pássaro, Eduardo Albarello, Leonardo Serafim e Júlio Casares não precisariam ir, de imediato, para a Embaixada da Hungria. Mas seria conveniente que começassem a fazer amizade com embaixadores do Canadá, da França, da Alemanha, da Venezuela, para, quem sabe, passarem alguns dias lá discutindo o futebol nesses países.

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