Apontado por dez entre dez governistas como responsável pela crise na articulação política do governo, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, privilegia sua base política na Bahia na agenda de trabalho. Costa já esteve com mais parlamentares e prefeitos baianos do que de qualquer outro Estado. A Bahia também é seu principal destino em compromissos oficiais.

Ex-governador da Bahia, o petista tem no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sua primeira experiência no primeiro escalão em Brasília. Sua atuação como gerente do governo tem sido criticada por políticos do PT e do Centrão por travar as demandas do Congresso. A agenda do ministro ajuda a explicar a crise.

Ministro da Casa Civil, Rui Costa concedeu entrevista coletiva após reunião de Lula com toda a equipe, nesta quinta-feira, 15
Ministro da Casa Civil, Rui Costa concedeu entrevista coletiva após reunião de Lula com toda a equipe, nesta quinta-feira, 15 Foto: Wilton Junior/Estadão
Em seis meses de governo, Costa teve 91 encontros com políticos e autoridades da Bahia. O ministro também viajou 13 vezes para cumprir 28 agendas em seu reduto eleitoral. Em apenas três desses compromissos na Bahia ele esteve acompanhando o presidente Lula. Nos demais, fez agenda própria. De 1º de janeiro a 7 de junho, a agenda do chefe da Casa Civil registrou 450 compromissos, dos quais 396 foram em Brasília, 28 na Bahia e apenas 26 em outros Estados.

No último dia 1.º, durante uma crise política provocada pela cobrança de cargos e liberação de emendas que emparedou o governo na votação da medida provisória de reestruturação da Esplanada, Costa viajou para Itaberaba (BA), segundo dados do Portal da Transparência do próprio governo. Na cidade baiana, participou da inauguração do Hospital Regional Piemonte do Paraguaçu. Vinte e quatro horas antes, a MP quase tinha empacado na Câmara, só passando após longo processo de negociação.


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Foi em Itaberaba, no dia 2 de junho, que Costa disse o que fez aumentar o tamanho da crise política. “Brasília é uma ilha da fantasia”, disse. “Brasília é difícil. É difícil porque lá fazer o certo, para muitos, está errado. E fazer o errado, para muitos, é que é o certo na cabeça deles.”

Na disputada agenda de coordenador do governo Lula sobrou espaço, ainda, para encaixar 62 reuniões com 55 prefeitos de municípios baianos e cinco deputados estaduais da Bahia, onde Costa foi governador por oito anos. De todos os prefeitos que o ministro recebeu até hoje, conforme os registros, apenas um não era baiano: o presidente da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), que chefia a Prefeitura de Aracaju.

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Adolfo Menezes (PSD), foi recebido pelo ministro em 14 de abril, por uma hora e meia. Costa também abriu sua agenda para receber o primeiro-cavalheiro Marcos Andrade, da cidade de Banzaê (BA), de 13 mil habitantes. Andrade é casado com a prefeita Jailma Dantas (PT). No dia do encontro, em 16 de maio, o chefe da Casa Civil também atendeu os prefeitos baianos de Várzea da Roça e Sítio do Quinto.

“Dia produtivo em Brasília, onde tratei das demandas de Banzaê”, escreveu o marido da prefeita numa rede social, em post ilustrado com uma foto ao lado de um sorridente ministro. Nesse dia, o governo enfrentava uma crise que opôs os ministros Marina Silva (Meio Ambiente) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) por causa da exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas. Uma disputa que atinge diretamente o presidente por envolver Marina, que tem renome internacional na área do meio ambiente, o que exige atuação do chefe da Casa Civil.

Enquanto políticos do reduto eleitoral de Costa têm livre acesso ao ministro, deputados relatam dificuldades. Um deles, do União Brasil disse, sob reserva, que pediu para se reunir com Costa, mas acabou atendido por um secretário da pasta. Além de se queixar da terceirização das negociações, ele afirmou que o comportamento do chefe da Casa Civil não ajuda a distensionar a relação do governo Lula com o Congresso. O União Brasil é o terceiro maior partido da Câmara, com 59 deputados.

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