São Paulo disputa logo mais o jogo de ida da final da atual edição da Copa do Brasil, contra o Flamengo. A partida está prevista para as 16 horas (de Brasília) deste domingo, no Maracanã. Apesar de buscar o título inédito, o Tricolor não joga em 2023 a primeira decisão da competição em sua história.

O clube do Morumbi decidiu o torneio mata-mata há 23 anos, ou seja, em 2000, mais especificamente em julho. Na ocasião, entretanto, o time paulista ficou com o vice-campeonato, após ser superado pelo Cruzeiro, em meio a polêmicas internas, reencontros e uma quebra de tabu inédita.

No primeiro duelo entre as equipes, no dia 5, a Raposa apostou em uma marcação forte e contou com chances desperdiçadas pelos jogadores são-paulinos para segurar o empate sem gols no Estádio Cícero Pompeu de Toledo.

Na volta, quatro dias mais tarde, no Mineirão, mesmo com os paulistas saindo na frente com Marcelinho Paraíba, o time mineiro conseguiu a virada com Fábio Júnior e Geovanni, venceu por 2 a 1 e levantou o troféu. Aquele foi o terceiro título de Copa do Brasil do Cruzeiro, maior campeão da competição, hoje com seis taças.

Decisão foi marcada por reencontros em ambas equipes

A grande final da Copa do Brasil de 2000 colocou frente a frente velhos conhecidos. De um lado, Levir Culpi, treinador do São Paulo à época, reencontrava o seu ex-clube, o Cruzeiro, que comandou em 1996 — ano que conquistou o mesmo torneio — e entre 1998 e 1999.

Após a definição dos dois últimos times vivos no campeonato, o comandante revelou a A Gazeta Esportiva que “preferia decidir o título com qualquer outro clube”, pois tinha “muito carinho pelo Cruzeiro”. Ele havia sido o principal responsável pela montagem daquele elenco celeste, inclusive contratando para a Raposa um atacante conhecido pela torcida tricolor.

Em negociação com o Santos, o Cruzeiro acertou em 1998 a chegada de Luís Antônio Corrêa da Costa, conhecido como Muller, um dos maiores ídolos da história do São Paulo. Vestindo as cores azuis desta vez, o jogador, com 34 anos na época, foi fundamental para a conquista mineira, tendo sido o algoz do Tricolor naquela decisão ao participar direta e indiretamente dos dois gols cruzeirenses no confronto.

Polêmicas e conflitos internos fizeram parte do período entre finais no São Paulo

Os quatro dias que separaram o embate de ida e de volta da final da Copa do Brasil de 2000 tiveram polêmicas e conflitos internos, entre Evair e Levir Culpi, no São Paulo.

Após não ser nem relacionado para o primeiro jogo da decisão, o atacante, descontente com a falta de oportunidades, chamou o técnico de “medroso” e afirmou a A Gazeta Esportiva que ele tinha medo de escalá-lo no Morumbi por saber que a torcida tricolor não iria gostar e o vaiaria por isso, uma vez que o atleta tinha sua imagem associada ao Palmeiras, seu ex-clube.

No entanto, no dia seguinte às declarações, Evair mudou o discurso e alegou que havia sido “mal interpretado” pela reportagem. Ele ainda defendeu o Levir Culpi, “que, dentro do Morumbi, tem que preservar o grupo, pois a vaia pode causar mal estar”, disse que não teve a intenção “de prejudicar a equipe ou causar polêmica” e, por isso, havia se reunido com o elenco para explicar a situação. Por fim, demonstrou disposição em acatar as decisões do treinador apesar do interesse de disputar a segunda partida da final.

Por sua vez, o comandante Levir Culpi evitou falar sobre as críticas recebidas por Evair e, na verdade, fez questão de elogiar o atacante, chamando-o de “importantíssimo” para o São Paulo e destacando o seu poder de decisão. No fim das contas, o atleta acabou não sendo utilizado também no encontro de volta entre os clubes.

Além disso, outra polêmica que permeou o período entre as finais no Tricolor foi uma irritação e mágoa do zagueiro Edmílson com a diretoria são-paulina por estarem marcando a viagem do jogador, negociado com o Arsenal, para a Inglaterra sem o seu conhecimento. Ele também havia sido convocado para a Seleção Brasileira — junto com o companheiro França — e, dessa forma, se apresentaria com atraso à Amarelinha.

Final da Copa do Brasil de 200 foi a primeira que o Tricolor perdeu como visitante

Apesar do empate sem gols no confronto de ida, o São Paulo chegava ao embate decisivo da Copa do Brasil de 2000 confiante e defendendo um tabu extremamente positivo. Até o vice-campeonato naquele ano, o Tricolor nunca havia perdido uma decisão atuando como visitante.

O retrospecto da equipe paulista contava nove taças levantadas em nove finais longe do Morumbi. Em tal condição, o clube conquistara três Campeonatos Brasileiros, em 1977, 1986 e 1991, uma Libertadores, em 1992, duas Recopas Sul-Americanas, em 1993 e 1994, e dois Mundiais, em 1992 e 1993, além de uma extinta Copa Conmebol, em 1994.

Vale lembrar que o São Paulo só perdeu um campeonato jogando a decisão fora de casa: a Libertadores de 1974, contra o Independiente-ARG. Porém, o título não foi decidido no estádio do adversário, e sim em Santiago, no Chile. No primeiro jogo, no Morumbi, o Tricolor venceu por 2 a 1. Os argentinos triunfaram na segunda partida por 2 a 0, em Buenos Aires, provocando um terceiro embate, que terminou com vitória dos argentinos por 1 a 0, na capital chilena.

Finalmente, a fim de quebrar outro tabu, desta vez negativo, o São Paulo tenta vencer a Copa do Brasil pela primeira vez em sua história. Para isso, visita o Flamengo às 16 horas deste domingo, no Maracanã. O duelo decisivo de volta acontece exatamente uma semana depois, no mesmo horário, no Morumbi.

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