Rafinha pode se tornar o primeiro capitão desde Rogério Ceni a erguer duas taças de campeão no São Paulo, caso o Tricolor conquiste a Supercopa neste domingo, às 16h (de Brasília), no Mineirão, na decisão diante do Palmeiras. Dono de 18 títulos, o ex-goleiro teve sete como capitão da equipe.

Torcedor declarado do São Paulo, Rafinha chegou ao São Paulo em 2022 e, na temporada passada, tornou-se o capitão com o técnico Dorival Júnior – o que se mantém com Thiago Carpini.

Campeão da Copa do Brasil com a braçadeira, o lateral-direito de 38 anos é visto como uma referência dentro do Morumbis. Antes, durante e depois dos jogos, é sempre uma voz ativa no vestiário, mantendo um bom relacionamento tanto com os atletas mais velhos como com os mais jovens.

– Rafinha dispensa comentários. As carreiras e conquistas falam por si. Ele é muito positivo, comprometido e profissional. Esse período em que ficou no controle de carga, recuperando de lesão, vimos o tamanho do profissionalismo e porque foi tão vencedor na carreira. Quem começa a conviver entende algumas coisas e para mim é um exemplo de atleta, de ser humano. Estamos cada vez aprendendo a se gostar, se conhecer, isso é importante. Ele nos dá uma segurança. É um pilar dentro e fora de campo – elogiou Thiago Carpini, que usou Rafinha pela primeira vez no Majestoso.

Mesmo ausente nas primeiras rodadas do Paulistão, Rafinha fez questão de estar no vestiário do Morumbi para passar orientações e motivar o elenco. Em entrevista ao ge no ano passado, o ex-jogador do Bayern de Munique falou sobre como enxerga a função de capitão:

– O papel do líder é dar coragem no momento em que as coisas não estão indo bem e também não deixar empolgar muito (quando estão bem). O cara, quando está em perigo, olhar para você, e você falar “vem cá, vamos assim, calma, vamos organizar. Está errado” – disse o jogador.

– É na hora que o bicho está pegando, não com simpatia, mas dar um grito mais forte, uma sacudida, dar uma balançada na roseira. E aí é bom porque daí a molecada também se liga. Tenho bom contato com todos, escuto todos. Se tiver que cobrar, cobro qualquer um, assim como me cobram também.

Quem conhece Rafinha diz que ele mantém esse perfil desde os 16 anos, na base do Coritiba. No Flamengo, onde venceu dois Cariocas, um Brasileiro, uma Libertadores, uma Recopa e uma Supercopa do Brasil, era visto como o grande elo de um grupo que tinha problemas de relacionamento.

Antes, no Bayern de Munique, onde foi multicampeão, recebia do capitão Philipp Lahm a missão de incendiar o vestiário para motivar nomes como Arjen Robben e Franck Ribéry.

– Ele é agregador por natureza, um cara que está sempre botando os colegas debaixo da asa para resolver os problemas e manter todo mundo motivado – diz Ricardo Scheidt, agente do jogador.

Em seu provável último ano de carreira, Rafinha vive o CT da Barra Funda com a intensidade de quem sabe que atravessa um período de despedidas. Visto como um exemplo de liderança, o jogador é muito querido internamente e tem bom trânsito com grande parte dos funcionários dentro do CT.

No ano passado, após a conquista da Copa do Brasil, o jogador fez questão de presentear todos os companheiros e membros da comissão com um quadro comemorativo da conquista inédita, que contava com uma miniatura da taça e uma reprodução da medalha.

Em outros momentos, distribuiu para os companheiros do dia a dia pares de chinelos e vinhos de sua marca própria, a R13 Wines.

Com mais de 20 anos de carreira, Rafinha conta com 31 títulos conquistados. Ele participou de conquistas em Coritiba, Bayern de Munique, da Alemanha, Flamengo, Olympiacos, da Grécia, Grêmio e São Paulo. Ele ocupa um seleto grupo de jogadores campeões da Liga dos Campeões, vencida pelo Bayern em 2012/2013, e também da Libertadores, que conquistou pelo Flamengo em 2019.

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