Há menos de um ano, Dorival Júnior marcava um trabalho relâmpago no Flamengo com dois títulos. Um deles no próprio Maracanã e de Copa do Brasil. Será neste palco e nessa competição que o treinador tentará dar o primeiro passo para coroar seu trabalho no São Paulo com um título, e logo um inédito na história tricolor.

Neste domingo, às 16h, o São Paulo, sob o comando de Dorival, enfrenta o Flamengo, no Maracanã, no jogo de ida das finais da Copa do Brasil – a volta está marcada para o dia 24, no Morumbi.

No Flamengo, mesmo com títulos de Libertadores e Copa do Brasil no currículo, Dorival Júnior viu a diretoria rubro-negra rejeitar uma renovação para ir atrás de Vitor Pereira. O prestígio pelos troféus se diluiu e a relação terminou em frustração por um trabalho interrompido.

O presente no São Paulo, em contrapartida, se apresenta de maneira distinta. Mesmo com resultados ruins no Brasileirão antes da disputa pelo troféu, o treinador é prestigiado e goza de confiança por um trabalho em que se percebe pontos autorais.

A começar pelo setor de meio-campo. Utilizado como ponta ou até segundo atacante durante a maior parte da carreira, Alisson se tornou um meio-campista centralizado com Dorival Júnior, atuando na função popularmente citada como “segundo volante”.

No meio, Alisson se estabeleceu como titular absoluto na parte mais importante da temporada. A novidade foi bem recebida pelo jogador.

– Para mim foi algo novo, se não me engano tinha jogado uma vez assim, mas graças à ajuda da comissão, dos analistas e dos meus companheiros, me sinto bem à vontade hoje fazendo essa função, sabendo que ainda posso evoluir e melhorar – disse o jogador ao ge.

Outro ponto importante do trabalho de Dorival está na titularidade de Caio Paulista, que chegou para ser reserva da equipe e hoje é tratado como nome importante do elenco.

Na lateral, muitas vezes com Rodrigo Nestor como jogador mais próximo e fechando pelo meio, Caio Paulista, um atacante de origem, ganha liberdade para avançar e dar arrancadas.

A fase era ótima até a lesão mais recente. Caio sofreu com um problema muscular, mas se recuperou a tempo de estar à disposição para as finais.

Por fim, Dorival Júnior tem papel importante no impacto de Lucas logo nas primeiras partidas. Último reforço ao lado de James Rodríguez, o meia-atacante revelado em Cotia fez carreira no clube atuando pela direita, mas não com o treinador.

Dorival abdicou de ter Luciano na principal zona de atuação do camisa 10 para escalar Lucas mais centralizado, buscando espaços entre o meio e a defesa adversária para fazer a diferença. Foi neste setor, por exemplo, que o camisa 7 comandou a classificação à final, com vitória sobre o Corinthians.

Se o prestígio no Flamengo não bastou para mantê-lo no clube, mesmo com troféus, Dorival agora pode consagrar um trabalho de muita autoria em uma equipe que lhe abriu as portas depois da saída da Gávea. Ironicamente, contra o clube que dispensou.

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