Um tradicional domingo de reunião familiar ganhou um tom diferente para os Belém Souza. Dezenas de parentes e amigos se reuniram em frente à televisão para ver o jovem Matheus, de 20 anos, estrear como titular no profissional do São Paulo.

E o sonho coletivo de uma família majoritariamente tricolor virou realidade de forma ainda mais especial com Matheus Belém sendo eleito o melhor em campo no empate por 0 a 0 com o Bragantino, pelo Campeonato Brasileiro.

O zagueiro começou a jogar bola próximo aos nove anos e não demorou a ingressar nas categorias de base do São Paulo, em Cotia. A relação com o clube no qual estreou pelo profissional neste ano começou no “modo carreira” em 2015, mas é antiga e de pura ligação familiar.

– Da família paterna são 13 irmãos, e 12 são são-paulinos. Tem só um tio dele que é corintiano, que é inclusive um dos que mais gosta de futebol, mas é de boa. Quase toda nossa família é são-paulina – contou Kleber, pai do zagueiro tricolor.

O lado torcedor da família de Matheus Belém (Belém é sobrenome, não referência à capital paraense) corresponde a reunião para jogos, idas ao Morumbi e até tatuagem, como o símbolo do clube registrado no peito do tio Luiz Fernando.

– A maior parte da família é São Paulo, família inteira. Do lado da mãe são três irmãs e alguns parentes, e tem são-paulinos também – destacou Kleber, em contato com o ge.

Antes de ser promovido ao time principal, Matheus Belém compareceu a jogos no estádio como torcedor. Inclusive, o atual zagueiro do time venceu troféus em campeonatos internos de torcedores.

O incentivo para a carreira veio quase do berço, com cuidados profissionais ainda na infância, especialmente com a imagem de alguém moldado para ser jogador. Coube que o destino uniu o plano racional com a emoção de ver o garoto vestir vermelho, branco e preto, como a maior parte dos familiares.

– Nasci e cresci em uma grande família são-paulina. Então, minha estreia como titular foi muito comemorada por todos aqui em casa. Muito especial e espero que tenha sido, apenas, o início. Tudo em seu tempo, mas meu sonho é conquistar um título com a camisa do São Paulo – destacou o defensor.

– Imaginar que, não faz muito tempo, estava junto com meu pai, torcendo, na arquibancada do Morumbi. Parece um filme. Essa caminhada seria impossível sem ele e minha mãe – comentou Matheus Belém.

Da infância e adolescência, Belém carrega algumas referências que atualmente divide os vestiários, como o zagueiro Arboleda. O equatoriano, que desde 2017 veste a camisa tricolor, entrou no lugar do garoto no empate de domingo.

Títulos na base e chamado de Ceni
Matheus Belém conquistou títulos na base do São Paulo em quase todas as categorias. Do sub-13 ao sub-17, o zagueiro levantou troféus e se destacou pelo clube do coração.

Nesta temporada veio a grande oportunidade com a vaga de titular no Tricolor que disputou a Copinha, sob o comando de Belletti. O desempenho individual, mesmo com a eliminação precoce na terceira fase, chamou a atenção.

Bastou o fim do torneio para Belém começar a participar dos treinos sob o comando de Rogério Ceni, em uma rotina híbrida com a equipe sub-20.

O zagueiro contou com a sorte em meio a esse processo. A grave lesão de Ferraresi, que precisou operar, abriu uma vaga no dia a dia dos profissionais.

A estreia foi num clássico contra o Santos, no Paulistão, quando atuou por 45 minutos. O destaque, contudo, ocorreu no último domingo, com a atuação no duelo em Bragança Paulista, como titular.

Todo esse processo ocorre em meio a uma indefinição. Matheus Belém tem contrato com o São Paulo até o fim de janeiro de 2024. Em duas semanas, o jovem pode assinar pré-acordo com outra equipe. E ainda não houve avanço para uma renovação.

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