Caio Paulista é um daqueles jogadores que souberam fazer dos limões da vida uma limonada. No ano passado, quando ainda defendia o Fluminense, o jogador vinha lutando por um espaço no ataque da equipe, sendo acionado frequentemente apenas nos minutos finais das partidas, mas tudo mudou quando o técnico Fernando Diniz decidiu improvisá-lo como lateral-esquerdo.

Atacante de origem, Caio Paulista sempre atuou pelos lados de campo, mas viu na mudança de posição uma oportunidade de ganhar mais minutos no time. E ele estava certo. Como lateral-esquerdo, passou a ser titular, acumulando boas atuações que resultaram no interesse do São Paulo.

“Jogador que jogar. Surgiu a oportunidade ali e abracei. É trabalho. Onde for que tiver que jogar eu vou dar o meu melhor”, disse Caio Paulista em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.

A mudança de posição aconteceu na metade da temporada, sem muito tempo para treinar e em meio a uma maratona de jogos. Caio Paulista se adaptou rapidamente e acredita que não há muitas diferenças em relação àquilo que já costumava fazer como atacante de beirada.

“Quando eu mudei pra lateral, o Diniz me deu bastante instruções, sempre me ajudava. Os zagueiros também me ajudam bastante, conversam comigo pra eu me posicionar. Sempre joguei nesse corredor como atacante, você chega lá na frente, mas também tem que recompor pra defender. Foi uma virada de chave, mas é um pouco semelhante”, prosseguiu.

Gols, assistências e dribles
Nos últimos três jogos pelo São Paulo, Caio Paulista participou de três gols. O lateral-esquerdo deu a assistência para Calleri balançar as redes, contra o Grêmio, e marcou dois gols contra o Tolima, caindo nas graças da torcida tricolor. Ele também é o atleta do elenco com mais dribles no Campeonato Brasileiro (6), à frente de Rodrigo Nestor, Wellington Rato e Marcos Paulo.

“Muito gratificante pra mim, sou um cara que venho trabalhando bastante, claro, com a ajuda dos meus companheiros, e com confiança eu tenho entregado um bom desempenho dentro de campo. Sobre as participações em gols, é muito gratificante, porque a gente trabalha bastante aqui, trabalha terço final. As coisas vêm acontecendo e agora tenho que seguir para ajudar a equipe dando mais assistências e mais gols”, disse o camisa 38.

Efeito Dorival
Por ser atacante de origem, Caio Paulista admitiu que no início teve algumas dificuldades na fase defensiva como lateral-esquerdo. Seu posicionamento, a hora certa de dar o bote no adversário, como fechar os espaços de maneira correta… tudo isso passou a ser melhor trabalhado após a chegada de Dorival Júnior ao São Paulo.

“Eu tinha um pouco de dificuldade defensivamente, de fechar a linha, saber o momento certo de abordar, de recuar. Agora está sendo muito mais fácil pra mim, o Dorival me ajuda bastante, trabalha bastante a linha de quatro. Estou me adaptando muito bem”, afirmou.

“Cada treinador tem sua ideia de jogo. Acho que aprendi um pouco com todos. O Dorival dá mais ênfase na defesa, para eu fechar a linha, os espaços, bola aérea, que eu também tinha um pouco de dificuldade”, completou.

Caio Paulista já se sente tão à vontade na posição que, mesmo tendo atuado como atacante durante toda a carreira e exercido a atual função há apenas um ano, ele já se considera um lateral-esquerdo.

“Eu jogo nas duas, mas hoje sou lateral-esquerdo. Hoje estou atuando como lateral-esquerdo, então sou lateral-esquerdo”, pontuou.

O jogador de 25 anos tem Marcelo, atualmente no Fluminense e um dos maiores ídolos do Real Madrid, como principal referência da posição. Caio Paulista revelou que até mesmo antes de se tornar lateral-esquerdo já assistia seus vídeos, tamanha admiração pelo futebol praticado por ele.

“Até quando eu jogava de atacante mesmo eu sempre gostei do Marcelo, sempre achei um baita jogador, sempre acompanhei ele no Real Madrid, tem uma história bonita lá, via os gols dele de direita. O cara é fera”.

Futuro no São Paulo
Justamente por isso, Caio Paulista não pretende deixar o São Paulo tão cedo. O jogador, que pertence ao Fluminense, tem contrato por empréstimo válido até o fim da atual temporada, mas espera que as partes entrem em um acordo para poder seguir trilhando sua trajetória no Tricolor paulista.

“Com certeza quero ficar. Minha cabeça está aqui, estou feliz aqui, meus companheiros me abraçaram. Todo mundo está com o mesmo pensamento. É aqui onde estou, estou com a cabeça aqui e quero continuar trabalhando aqui, focado”, concluiu.

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