No empate por 0 a 0 com o Botafogo, neste sábado, no Morumbi, pelo Brasileirão, o São Paulo foi comandado por Lucas Silvestre, auxiliar de Dorival Júnior, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Após a partida, ele valorizou o ponto conquistado diante das mudanças feita na equipe, mas também lamentou.

– Complicado. Saberíamos da dificuldade que o Botafogo iria nos impor aqui. Vindo de um jogo como o de quarta-feira, de desgaste físico e emocional. Não foi só na quarta-feira, mas foram 21 dias de decisão, desde o primeiro jogo com o Corinthians na Arena, depois San Lorenzo e outra vez com Corinthians. Foi um desgaste mental muito grande, tendo que reverter dois placares. Não só os atletas terminaram a partida na quarta-feira, mas nós também, na comissão técnica – disse Lucas.

– Por conta disso as mudanças para o jogo de hoje. Com essas mudanças, o time se comportou bem dentro de campo. Conseguimos ter a bola, buscar infiltrações e chances de gol. O que faltou foi colocar para dentro do gol. Tivemos oportunidades, um volume muito alto, e você precisa concluir, ainda mais contra um adversário desta qualidade. Enfrentamos o líder do campeonato e jogamos de forma absoluta dentro do jogo e merecemos ter feito o placar. Para nós, este resultado de 0 a 0, saímos de cabeça erguida pelo esforço realizado e pelas oportunidades criadas, mas merecíamos uma sorte melhor na partida – acrescentou o auxiliar de Dorival.

A principal novidade na escalação alternativa para este sábado foi James Rodríguez. O colombiano começou como titular pela primeira vez, mas saiu no intervalo para a entrada de Lucas.

– A ideia com o James era de 45, no máximo 60. Como perdi o Pablo logo no início e perdi um dos momentos em substituição, não poderia segurar o James e tirar em seguida. Preferimos mudar no intervalo e colocar o Lucas – explicou.

– Com o James não tem como ser diferente. Ele vem de um período maior parado. A gente aproveita este período para trabalhar com ele. Vem evoluindo muito na parte física. Hoje a ideia era essa, porque não conseguimos usá-lo na quarta-feira. É uma carga gradativa, porque neste momento o risco de lesão é muito grande para um atleta que vem retornando. A base são os dados da fisiologia, que nos abastece sobre este jogo e também os treinamentos seguintes – comentou.

O São Paulo volta a campo na próxima quinta-feira, contra a LDU, no Equador, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa Sul-Americana. Pelo Brasileirão, o próximo duelo é contra o América-MG, no domingo, em Belo Horizonte.

Veja outros pontos da entrevista:
Estratégia do São Paulo

– A ideia para o jogo era termos James e Luciano flutuando por dentro, para isso tivemos dois jogadores de ataque na última linha por fora, Nathan e Juan. Tentamos atrair os zagueiros para ter movimentações nas costas. Tivemos um time com muita qualidade técnica para trabalhar a bola. Sabíamos da pressão do Botafogo na saída de bola, que pressionariam nossos defensores e volantes, por isso a ideia de termos mais jogadores com posse. E, no movimento, os meias receberiam nas costas dos zagueiros ou com espaço. Conseguimos ter a bola, mas faltou um pouco de ataque em profundidade, por isso o Lucas em campo, para melhorar estes ataques na última linha do adversário.

Formação do ataque

– A gente ainda não conseguiu trabalhar esta situação. Foi uma sequência muito grande de jogos, e daqui para frente teremos um tempo um pouco maior, com a parada para a seleção. Vamos trabalhar estas situações. Vai depender muito dos quatro. Se as funções defensivas forem executadas, não tem porque não colocar grandes atletas em campo.

Oportunidades a Jandrei

– Jandrei também vai seguir esta linha de pensamento. Ele é um atleta importantíssimo para nós, dentro e fora de campo, assim como o Rafael. Que bom que esses dois, nas três últimas partidas, deram um resultado muito bom para a equipe. É muito importante porque vai elevando o nível de competição dentro do plantel e mostra que todos terão oportunidade. Jogando bem, com certeza vai receber novas oportunidades. Depende de cada um agarrar.

Como administrar a vaidade dos reservas?

– É uma dificuldade. Este é nosso grande desafio, aqui para a comissão técnica. A gestão de pessoas é o ponto mais desafiador de um líder. Quando você tem mais atletas, isso passa a ser um desafio ainda maior. No Flamengo, no ano passado, tínhamos 24 atletas e complementamos com a base. Hoje são 30 ou 32 atletas. O principal é a sinceridade. Se ele sentir que a comissão técnica é honesta, sincera com ele, a probabilidade de ele reagir melhor é maior. Temos isso como filosofia. Buscamos dar atenção a todos, todos os dias, e este é um ponto que faz comandarmos de um jeito em que todos se sintam participativos e dentro do projeto, mesmo com um elenco numeroso.

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