Não foi fácil entrevistar Alan Franco. Entre a primeira tentativa do ge e o aceite do zagueiro do São Paulo, houve um intervalo de três meses. Tímido em frente às câmeras, teve de ser convencido. O papo rolou nesta segunda-feira, no CT da Barra Funda. Mas, novamente, não foi fácil entrevistar Alan Franco.

Um dos jogadores mais queridos do elenco, o argentino foi constantemente interrompido pelos colegas que deixavam o treino, como Ferreira, Rato e Rafinha, que gritaram provocações. O goleiro Jandrei chegou a ficar à espreita numa fresta de grade para tirar onda com o defensor.

– Só joguei no Independiente, Atlanta United (da MLS) e São Paulo. E onde chego, vou com alegria, para fazer amizades. Gosto de brincar e ser gente boa. Gosto de ter alegria na minha vida, não tenho um dia ruim. Se vejo alguém para baixo, trato de levantá-lo. Por isso gostam do gringo (risos).

Mas e dentro de campo? O perfil muda ou é possível ser um zagueiro argentino boa-praça?

– Eu não era zagueiro, nunca fui zagueiro. Fui jogar na zaga quando a gente subiu para a Primeira Divisão no Independiente. Sempre fui volante. Mas sou o jogador que sempre fui, trato de jogar. Se tiver que brigar, vou brigar. Se tiver que defender o companheiro, vou defender. E sei que sou chato com meus companheiros no dia a dia, mas é sempre para o bem. No treino, eu sou mesmo chato, mas é para a gente melhorar. Estou muito feliz, nunca me senti tão feliz num clube como agora.

No dia a dia, Alan Franco tem um apelido entre alguns nomes do elenco: Kiricocho. Trata-se de um mantra argentino usado para secar o adversário num momento de ataque ou cobrança de pênaltis. Esse era o nome de um torcedor do Estudiantes que teve fama de pé frio. No CT, o nome colou nele.

– Na Argentina, a gente fala Kiricocho para o jogador rival. Quando cheguei, Galoppo e Calleri falavam no CT, mas ficou esse apelido pra mim… – reprovou Alan, que neste ano prova não ser nada azarado ao defender uma invencibilidade de seis vitórias e quatro empates quando esteve em campo.

Contratado em janeiro de 2023, o zagueiro tem menos de 50 jogos pelo São Paulo. Muito, na visão dele, pelo momento que viveu Lucas Beraldo, hoje no PSG:

– Fiquei no banco porque tinha um cara que jogava pra c… e ainda canhoto (risos). O que eu ia fazer com esse cara aqui? Ele era canhoto, facilitava muito, e era muito bom com a bola. Eu dizia para ele que ele precisava jogar, jogar e jogar. E olha onde ele está agora? Jogando a Champions…

Desde que chegou, são dois títulos. O da Copa do Brasil virou tatuagem na perna esquerda, com o desenho do Morumbi. Na direita está o Maracanã, o Cristo e a taça da Sul-Americana vencida pelo Independiente em 2017, contra o Flamengo. Mas há espaço para a da Supercopa e do que mais vier:

– Tem espaço aqui (mostra o braço direito), tem aqui (mostra o braço esquerdo), dá para fazer mais. Jogar a Libertadores é muito importante, eu joguei também pelo Independiente. Tem a Copa do Mundo, a Champions e depois vem a Libertadores. Temos que dar a vida por esse título.

A conquista da Supercopa, aliás, desenvolveu uma nova relação da torcida do São Paulo com Alan Franco. No voo de volta à capital paulista após a vitória nos pênaltis contra o Palmeiras no Mineirão, ele foi a estrela do vídeo dos bastidores, com provocações ao rival e risadas dos companheiros.

– Eu não sei quem era esse cara aí. Não era eu (risos). Foi uma comemoração. Sair campeão não acontece sempre. E quando se é campeão, tem que comemorar, né? Não tem como. Mas esse cara aí (do vídeo) não era eu (risos) – divertiu-se ele, que já havia vivido rivalidade em Independiente x Racing.

– As rivalidades são similares, mas aqui no Brasil eu acho que é muito mais. O sentimento de futebol é como na Argentina, futebol é a vida, isso é similar. Mas é futebol. Se a gente tivesse perdido, os caras (do Palmeiras) também iam brincar, mas a gente ganhou. Então… (risos).

Conterrâneo de Luis Zubeldía, a quem tinha enfrentado apenas uma vez numa derrota do Independiente para o Lanús pelo torneio argentino, o zagueiro está esperançoso com o trabalho.

– Nosso time vai melhorar. Eu não o conhecia tanto, tinha o enfrentado na Argentina, sabia que ele era bom, mas temos de nos adaptar a qualquer treinador que chegue. O que eu falava para os meninos é que a gente ia melhorar muito, sabíamos que ele era bom. Estamos contentes com o trabalho. Não temos tempo para trabalhar como deveria, mas está dando resultado pelas orientações que ele dá.

Fonte: Globo Esporte

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Content is protected !!